Olhar materno


Sempre fui menino. Lembro-me que um dia estava a fazer molecagens quando fui convidado a participar das formalidades teatrais dos adultos… E já logo me aborrecia dessas horas tão longas…

Fomos visitar uma amiga de não sei onde de minha mãe. Enquanto subíamos as escadas ela disse: “Não aceitem nada que for oferecido, vocês são muitos e a visita é rápida”. Mas eu estava com muita fome, e lançava meus olhares aflitos para moça, e de volta para minha mãe que respondia com aquele olhar semicerrado que dizia discretamente “fica quieto, menino”. A moça nem enxergava nossa cena, não era mãe.

meninosLembro-me também do olhar do sim… Quando íamos na casa de minha avó e ali éramos todos crianças. Ela de vestido solto, pés descalços, coque frouxo… Livres. Mas mesmo livres eu gostava de perguntar: “posso?”… Porque o olhar do sim era infinito. E se eu não pedisse, que graça teria?

Entre carinhos, cascudos e cosquinhas, cresci. Bem devagar… Até que um dia espichei de vez. Foi a escola, foi o trabalho, foi a vida que me obrigou a ser homem. E já não podia mais chorar recostado em seu peito… Aí conheci o tímido olhar de adeus. Tentava disfarçar, mas seus olhos não sabiam mentir.

Mas ainda sei me fazer menino. E a verdade é que ainda sou… O moleque de joelhos esfolados e dentes bambos. Até hoje me olha dizendo: “vem…”. Ah, mãe… A senhora me disse uma vez que os olhos são a janela da alma… Se é assim mesmo, por favor, mãe, não pisque! E que o olhar de Deus esteja sobe você, mamãe! “Os olhos do Senhor estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração.” 2 Cr. 16.9

Parabéns, mamãe!

Autora: Gabriella Rodrigues