Entre as multidões e os discípulos.


Ricardo Agreste

Como um cristão, num país chamado Brasil, tive que me habituar a observar e identificar dois ambientes bem distintos, nos quais a espiritualidade é exercida em nossa cultura. Um deles é o ambiente caracterizado pela “espiritualidade das multidões”. O outro é caracterizado pelo que chamarei de “espiritualidade dos discípulos”. Este é um modelo que sempre me pareceu mais consciente e coerente.

espiritualidadeÉ preciso reconhecer que, diante destes dois modelos de espiritualidade, minha formação me condicionou a olhar com um perigoso desprezo para a espiritualidade das multidões. Ao longo da caminhada cristã, por muitas vezes, tenho ouvido que as multidões são inconstantes e utilitaristas. Elas estão sempre em busca do milagre imediato – aquela bênção que leva à cura da enfermidade, à solução para o problema financeiro. Fui também induzido a pensar que a genuína espiritualidade emerge de uma relação de discipulado com Cristo, baseada numa decisão consciente.

Jesus, com a sensibilidade do Deus que é amor e com a sabedoria daquele que é o criador do universo, entrava em contato com o sofrimento das multidões, acolhendo-as em suas limitações teológicas e em suas motivações utilitaristas. A partir desse encontro de amor, fez de homens e mulheres verdadeiros discípulos! Da mesma forma, aqueles que se afirmam seus seguidores deveriam aprender a olhar com compaixão para as multidões e engajar-se no serviço a elas com amor e dedicação, criando oportunidades para que todos venham a compreender quem é Jesus e possam render-se ao seu amor. Então, alguns homens e mulheres, anônimos nas multidões, ganharão identidade ao deixarem de ser apenas consumidores de sua compaixão para se tornarem agentes da mesma.

Que possamos, na multidão ou entre os discípulos, reconhecer que a pessoa mais importante do Evangelho é o Senhor Jesus Cristo.

Pr. Jhonatan Rodrigues